oram Nampula
11 Nov
  • By silver
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Nós não comemos eucaliptos!

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O ambiente entre a multi-nacional Portucel e as comunidades dos distritos de Ile e Namarroi, na província central da Zambézia, é tenso. A populacão e o governo local afirmam que o mote da tensão é o não cumprimento das promessas feitas pela empresa aquando da sua entrada nas comunidades. A própria Portucel reconhece que não tem estado a cumprir com as suas promessas, mas também alega má fé de alguns trabalhadores que fizeram falsas promessas durante a angariação das terras comunitárias.

“QUEREMOS INVESTIDORES QUE NOS PODEM TIRAR DA POBREZA” – POPULACÃO DE CUTURIA, DISTRITO DE ILE.

As promessas de construir escolas, hospitais, furos de água e garantia de emprego, dentre outras, foram feitas durante as consultas comunitárias nas quais as populacões não foram envolvidas e nem foram realizadas nas próprias zonas. Foram encontros entre o Governo, a Portucel e os líderes comunitários realizados nas sedes das localidades.

“Quando a Portucel chegou aqui em Mugudo não sabiamos de nada, só vimos a estrada a ser aberta (…) prometeram-nos dar emprego por 50 anos e se morressemos seríamos substituídos pelos nossos filhos e netos, mas até hoje estamos assim. Entregamos as nossas terras, numa extensão de 300 hectares, mas até hoje não temos hospital, água, nem escola” – residente de Mugudo, Ile.

Graças ao Projecto LEGEND, algumas comunidades recusaram-se a entregar as suas machambas à Portucel. Devido a essa resistência das populações, o empreendimento já parou de angariar terras e, consequentemente, não pode fazer mais plantio de eucaliptos. Hoje, a porção plantada equivale a dez por cento da área concedida ao DUAT.

“Não gostaríamos de entregar as nossas terras a Portucel porque não cumprem com as suas promessas. Até quando terminam os trabalhos com a população destroem as manilhas que constroem para ter acesso à comunidade. Esses vieram para aumentar a pobreza, alguns de nós ficamos mais pobres por causa deste projecto. Os nossos vizinhos do Kamba 1º já estão arrependidos, andam por aqui pedindo machambas” – membro da Associacão Ohawa Omale de Mucorotxe, Namarroi.

A ORAM-Nampula identificou no terreno um fenómeno migratório sem precedentes provocado pela insegurança alimentar. O mesmo fenómeno foi observado durante as pesquisas da ADECRU publicadas no ano passado: “Os camponeses movidos de um sentimento de angústia revelaram que as machambas das quais foram arrancados constituíam o seu património, pois as mesmas herdaram dos seus antepassados a mais de 20 anos e serviam de fonte de vida dos seus agregados familiares. Nelas cultivavam milho, mandioca e feijões que são principais alimentos para sua dieta alimentar. Com a perda das suas machambas, alguns camponeses deslocaram para as comunidades mais longínquas, sem acesso a transporte, a procura de terras para a prática de agricultura”.

O DUAT da Portucel, na Zambézia, é de 173.327 e surge no âmbito da implementação da Estratégia Nacional de Reflorestamento, a qual visa reduzir a pressão sobre a floresta nativa. O grupo português investiu em Mocambique (Zambézia e Manica) mais de 3 mil milhões de dólares norte-americanos.

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